17 de outubro de 2014

Russa ironiza estereótipos em suas fotos


Nada melhor do que arte que é carreto de mensagens fortes. Mensagens questionadoras, com vontade de remodelar a sociedade. Bem assim são as fotos da artista plástica russa Uldus Bakhtiozina. Com suas imagens, ela desafia as normas culturais de gênero e nacionalidade, entre outras. Uldus aposta em cenários e figurinos surreais, nas atmosferas mágicas e nos universos dos contos de fadas para concretizar sua meta revolucionária.

Abaixo, uma curtíssima palestra de só 4 minutos que Uldus ministrou para o TED. É quase nada, mas vale a pena assistir para ver o brilho nos olhos da moça e ouvir seu jeito doce de falar. No vídeo, ela fala principalmente da sua série "Românticos Desesperados", na qual ela busca inspiração para suas fotografias na pintura de artistas ingleses do meio do século 19.



Formação

"Eu encontrei meu caminho na fotografia seis anos atrás. À época, eu estava estudando arte na Inglaterra. Lá estava eu, cercada por tanto estereótipos sobre a minha nacionalidade, o que me fez sorrir e me inspirou ao mesmo tempo. Foi por isso que comecei a fazer os autorretratos: eu queria mostrar abertamente esses estereótipos, para mudar as percepções das pessoas."

"Depois que me formei no colégio na Rússia, aos 16, estudei política, mas não terminei, porque eu que não era o que eu queria fazer. Me mudei para Londres para estudar arte na St. Martin's. Minha primeira formação foi em design gráfico. Depois, me formei em fotografia. Trabalhei como designer gráfica, depois como diretora de arte e lateralmente fui evoluindo como fotógrafa profissional."

"Tentei diferentes disciplinas: escultura de porcelana, pintura à óleo, ilustração, mixed media. Minha exploração das artes me ajudou a perceber que a fotografia é a melhor ferramenta para expressar minhas ideias. É isso que faço agora, e o que quero fazer pelo resto da vida."


Processo

"Acho que não existe um fotógrafo 'estrito' no mundo. A fotografia é uma ferramenta de envio de mensagem, não se trata de simplesmente capturar um momento ou fotografar por moda. Eu descrevo minha criação fotográfica como um 'toque manual' dentro da foto. Eu costuro figurinos, colo cenários, desenho e até cozinho às vezes para criar toda uma composição."

"Fotografo com filme, com uma Pentax 67-II. Isso faz o processo ser bem mais longo que o da fotografia digital. Então, a foto é 'tocada manualmente' de novo. Eu revelo os negativos e escaneio as fotos, por isso o processo de uma imagem pode levar três meses ou mais."

Motivação

"Temos tanta negatividade ao nosso redor, eu quero equilibrar isso. As pessoas às vezes criam arte trágica muito negativa — sobre guerra, doença, revolução e política. Mesmo que isso possa motivar as pessoas a se moverem na direção de algo positivo, em geral, quando você abre qualquer mídia social ou blog de notícias, só se vê notícias ruins, notícias ruins e notícias ruins. Eu acredito na motivação gerada através da criação de alguma coisa positiva. Emoções negativas e positivas devem ser equilibradas."

"Eu quero dar ao meu público um pouco de conto de fadas. Eu considero a minha fotografia algo que faz as pessoas felizes. Como uma meditação. Eu me alegro quando as pessoas me dizem que são capazes de olhar meu trabalho fotográfico por horas, porque ele os faz se sentirem curados."


Todas as falas da Uldus que aparecem aqui foram extraídas da entrevista concedida pela artista ao Blog do TED. Para descobrir quais os novos projetos desta fotógrafa idealista leia a entrevista completa . (É em inglês, viu?)

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