15 de setembro de 2014

Onde o tempo é barato e o café é de graça


Ziferblat, guarde esse nome. O que é? Uma rede alternativa de cafés que dominou a Rússia e invadiu Londres no começo do ano. A próxima conquista será Nova York. E se a vida for linda, em seguida, São Paulo. Oremos. Afinal, a cidade da garoa precisa urgentemente de espaços de permanência mais simpáticos, seguros, de baixo custo e com wi-fi grátis.

No Ziferblat tudo é grátis exceto o tempo que se consome ali. Em Londres, o custo é de três pences por minutos, o que somaria 1,80 libras por hora. Esse valor dá direito ao uso da internet e do consumo de qualquer alimento presente no local: café, chás, cookies, vegetais e mais. Além disso, é permitido desenvolver ali quaisquer atividades desejadas.

Funciona assim: o visitante pega um dos relógios de mesa que o café oferece e anota o seu horário de chegada. Ao final estadia, o cliente devolve o relógio e paga a sua conta. Não existe um período mínimo de permanência. O que há, porém, é a necessidade de preparar os próprios lanches, lavar a louça usada e deixar o espaço em ordem ao sair.

Ziferblat significa "rostos de relógios" em russo. 

A primeira casa da rede "pague-por-minuto" foi aberta por Ivan Mitin há dois anos, na Rússia. No país, hoje existem 10 franquias do Ziferblat. Algumas têm música ao vivo, outras abrigam seminários sobre línguas exóticas e outras, ainda, cedem espaço a encontros de ativistas preocupados com o meio-ambiente.

O lema da rede é "um espaço social para você tratar como seu lar". Para Mitin, mesmo com todo seu sucesso, o Ziferblat permanece sendo primeiro e principalmente um projeto social, não um modelo empresarial. O empreendedor insiste que não há patrocinadores comerciais na jogada nem interesse político oculto.

Ziferblat se sustenta através de seu próprio lucro e de doações", diz ele. A proposta é simples: "Eles [os clientes] pagam aluguel por minuto e eu pago aluguel uma vez ao mês", explica Mitin à repórter da BBC que aparece narrando o vídeo postado abaixo. O audio do vídeo é em inglês.


A utopia social na boca de Ivan Mitin

"Eu não acho que o Kommunalka ou a Rússia serviram como inspiração para o Ziferblat. O desejo de união é a primeira coisa que sentimos. É característico dos primatas. Esse desejo existe em todos os lugares do mundo."

"Todos queremos voltar à terra encantada onde vivemos na infância. Um local onde estivemos cercados por pessoas que nos amavam incondicionalmente. Esse desejo se manifestou de modos diferentes na história e foi manipulado através de cultos e de movimentos como o Fascismo."

"Penso que o Ziferblat é diferente deste tipo de coisa por princípio. Não convidamos nossos visitantes a se posicionarem sob qualquer tipo de bandeira. Não os transformamos em engrenagem de algum grande maquinário. Nos preocupamos com o individualidade e com a liberdade interior."

"Provemos ao público um refúgio em meio à cidade grande, cheia de fingidores. É como uma casa da árvore para adultos. Aqui, as pessoas constroem um espaço para si e se abrem uns com os outros. Elas se 'escondem dos adultos'."

"Numa casa da árvore é impossível jogar os jogos de 'cliente' e 'garçom', porque todo ser humano é um indivíduo relevante e, assim, não pode ser servo de outro ser humano."

"Eu não me iludo imaginando que o Ziferblat é a cura de toda a miséria, mas com o Ziferblat estamos tentando nos aproximar deste ideal."




Mais: Entrevista de Ivan Mitin à revista online Animal.

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