22 de julho de 2010

Esqueça os outros e me beije

Saiu ontem, 21 de julho, uma matéria sobre o beijo no portal da revista Super Interessante. Ali havia oito curiosiades sobre o assunto que iam do grau de aceitação social até outras formas de carinho que podem ser consideradas como um beijo em dado país. Me surpreendeu descobrir nações mais antiquados que o nosso falsamente libertino, Brasil. E não estou falando apenas de tribos indígenas na África. Segue um trecho da matéria:
Onde beijar em público é crime
Há regiões na Finlândia onde homens e mulheres tomam banhos coletivos sem roupa, mas ainda vêem o beijo como ato obsceno. No Japão, só pode entre 4 paredes. Na Venezuela, os casais que dão abraços muito apertados ou beijos muito demorados em lugares públicos podem ir para a prisão. E na Malásia existe lei proibindo o beijo francês (esse normal, de língua) no cinema – impondo uma multa enorme para quem desobedecer.
Eu esperava mais da Finlândia. E a Venezuela? Dica, você é uma país latino, só pra esclarecer. Preso por beijar, really? Como bem disse, também ontem, Luis Mauro, "às vezes a realidade parece um trote". O apelo sexual inunda os nossos olhos e ouvidos diariamente (inunda mais que isso para alguns), temos crianças iniciando-se sexualmente cada vez mais jovens, sem falar na propaganda que abusa de nós hora a hora, e o que censuram são os beijos? Alguém faltou em todas as aulas de matemática no colégio. Cade o raciocínio lógico?

São em momentos como esse que fica fácil notar que estamos mesmo num período de transição, quando verificamos a coexistência de realidades tão diferentes num mesmo país, numa mesma rua, numa só pessoa. Prefiro acreditar que essa seja a justificativa, ao invés da incapacidade cultural de denotar causas e soluções para problemas. Creio ser ponto pacífico a sexualização das mídias, desde aquelas destinadas às faixas etárias mais tenras. Fica claro a crescente resposta do público à propaganda apelativa, por exemplo, no interesse infanto-juvenil pela série Crepúsculo

Eu faço parte do grupo que acredita que é preciso uma melhor qualidade educacional, distribuída de forma ampla, para que o interesse por assuntos que vão além do sexo possa florescer. Não se trata de censurar o beijo em locais públicos, tolir a liberdade, de negar uma realidade que desgostamos, trata-se de modificá-la em suas bases. Mesmo no Brasil, terra tão desnuda e desinibida, a população veste-se com o mofado véu da moralidade religiosa ao invés de optar pelas lentes corretivas da educação. Já fui censurada por reles beijos incontáveis vezes.

Sinceramente, que os amantes se beijem, e que os incomodados se atualizem. O querer bem deve prevalecer, assim como as demonstrações de carinho. E que, de fato, sejam públicas tais demonstrações, afinal as pessoas já se resfriaram demais e os valores foram transfigurados. Talvez a causa do incômodo que alguns sentem esteja diretamente ligada a vulgarização do beijo e dos atos de carinho de forma geral. Só posso crer que o constrangimento naquele que presencia um beijo vem de sua própria deturpação do afeto, novamente, falta nele educação.
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