15 de setembro de 2015

O sonho do canto próprio #2

Normalmente eu sou a primeira a desaprovar as decorações monocromáticas, mas não neste caso. Até as combinações menos recomendadas pelo senso comum podem funcionar nas mãos de um criativo com bom gosto. Essa decoração toda em tons de azul e azul esverdeado me conquistou intensa e profundamente.

A cor fria trouxe estranheza para a decoração rústica do lugar, e eu gosto de descompassos. É tão incomum ver móveis rudes além dos tons nude de madeira. Cenários naturais tendem a abrigar casas com cores neutras e claras. Gostei da mudança. Gostei da ousadia medida.

Esse ambiente maravilhoso faz parte do hotel Uxua, instalado em Trancoso, na Bahia. Infelizmente, tamanha beleza é para poucos, já que as diárias de suas acomodações não ficam abaixo de mil reais. Fica ai o meu amor platônico e o sonho de um dia ter um canto litorâneo simples e simplesmente azul para chamar de meu.










Veja mais fotos no Flickr do hotel.

17 de outubro de 2014

Russa ironiza estereótipos em suas fotos


Nada melhor do que arte que é carreto de mensagens fortes. Mensagens questionadoras, com vontade de remodelar a sociedade. Bem assim são as fotos da artista plástica russa Uldus Bakhtiozina. Com suas imagens, ela desafia as normas culturais de gênero e nacionalidade, entre outras. Uldus aposta em cenários e figurinos surreais, nas atmosferas mágicas e nos universos dos contos de fadas para concretizar sua meta revolucionária.

Abaixo, uma curtíssima palestra de só 4 minutos que Uldus ministrou para o TED. É quase nada, mas vale a pena assistir para ver o brilho nos olhos da moça e ouvir seu jeito doce de falar. No vídeo, ela fala principalmente da sua série "Românticos Desesperados", na qual ela busca inspiração para suas fotografias na pintura de artistas ingleses do meio do século 19.



Formação

"Eu encontrei meu caminho na fotografia seis anos atrás. À época, eu estava estudando arte na Inglaterra. Lá estava eu, cercada por tanto estereótipos sobre a minha nacionalidade, o que me fez sorrir e me inspirou ao mesmo tempo. Foi por isso que comecei a fazer os autorretratos: eu queria mostrar abertamente esses estereótipos, para mudar as percepções das pessoas."

"Depois que me formei no colégio na Rússia, aos 16, estudei política, mas não terminei, porque eu que não era o que eu queria fazer. Me mudei para Londres para estudar arte na St. Martin's. Minha primeira formação foi em design gráfico. Depois, me formei em fotografia. Trabalhei como designer gráfica, depois como diretora de arte e lateralmente fui evoluindo como fotógrafa profissional."

"Tentei diferentes disciplinas: escultura de porcelana, pintura à óleo, ilustração, mixed media. Minha exploração das artes me ajudou a perceber que a fotografia é a melhor ferramenta para expressar minhas ideias. É isso que faço agora, e o que quero fazer pelo resto da vida."


Processo

"Acho que não existe um fotógrafo 'estrito' no mundo. A fotografia é uma ferramenta de envio de mensagem, não se trata de simplesmente capturar um momento ou fotografar por moda. Eu descrevo minha criação fotográfica como um 'toque manual' dentro da foto. Eu costuro figurinos, colo cenários, desenho e até cozinho às vezes para criar toda uma composição."

"Fotografo com filme, com uma Pentax 67-II. Isso faz o processo ser bem mais longo que o da fotografia digital. Então, a foto é 'tocada manualmente' de novo. Eu revelo os negativos e escaneio as fotos, por isso o processo de uma imagem pode levar três meses ou mais."

Motivação

"Temos tanta negatividade ao nosso redor, eu quero equilibrar isso. As pessoas às vezes criam arte trágica muito negativa — sobre guerra, doença, revolução e política. Mesmo que isso possa motivar as pessoas a se moverem na direção de algo positivo, em geral, quando você abre qualquer mídia social ou blog de notícias, só se vê notícias ruins, notícias ruins e notícias ruins. Eu acredito na motivação gerada através da criação de alguma coisa positiva. Emoções negativas e positivas devem ser equilibradas."

"Eu quero dar ao meu público um pouco de conto de fadas. Eu considero a minha fotografia algo que faz as pessoas felizes. Como uma meditação. Eu me alegro quando as pessoas me dizem que são capazes de olhar meu trabalho fotográfico por horas, porque ele os faz se sentirem curados."


Todas as falas da Uldus que aparecem aqui foram extraídas da entrevista concedida pela artista ao Blog do TED. Para descobrir quais os novos projetos desta fotógrafa idealista leia a entrevista completa . (É em inglês, viu?)

30 de setembro de 2014

Os anos 80 no inverno da Lazy Oaf

Cores primas. Cores fortes. Alto contraste. Letras garrafais. Desenhos quase abstratos. Personagens. Kitch. Está tudo aí, na coleção feminina de inverno (2014) da Lazy Oaf. Essa marca que acabo de conhecer e já choro glitter quando ouço falar. Poucas coleções atuais são tão Fresh Prince of Belair.

E ser assim é uma coisa linda.

O lookbook de outono (2014) da Lazy oaf também é de fazer nascerem lírios nas íris. Mesmo sem a atmosfera 'Candy/O Iluminado'. As fotografias são lindas em toda a sua imensa simplicidade -- assim como a modelo que as ilustra. Estou bem apaixonada. Apenas quero tudo, a começar pelo casaco rosa e lilás.

A moda masculina da Lazy oaf é demais também.












Fotografia: Charlotte Rutherford
Modelos: Ruth & May @Elite London
Cabelo: Ranelle Chapman
Maquiagem: Tabby Casto

E para fechar em GRANDE estilo: pizza + Simpsons!

16 de setembro de 2014

A mais doce das janelas

Para quem não sabe, isso é uma namoradeira

Iara Battoni morou no Rio de Janeiro. Lá, ela estudou artes, foi cenógrafa do Projac, figurinista da novela Entre Tapas e Beijos, e criou doces cenográficos para o Criança Esperança. Mas nada disso a fez verdadeiramente feliz. Iara queria ter seu próprio negócio.

Para virar empreendedora, a solução foi voltar para casa, em Amparo, onde o custo de vida é mais em conta. Então, num dia qualquer, enquanto reformava seu quarto lhe brotou a ideia: A Janela da Namoradeira. Da cabeça para a realidade foram só três dias. E o negócio virou!

Do lado de fora a placa grita: “Aqui tem doce!”. Todos artesanais e embalado com cuidado e carinho. A decoração da janela muda o tempo todo, o que acaba funcionando como atrativo. A venda fica aberta de quarta-feira a domingo, das 15h às 20h30.

E você, o que vai fazer para realizar seu sonho?


15 de setembro de 2014

Onde o tempo é barato e o café é de graça


Ziferblat, guarde esse nome. O que é? Uma rede alternativa de cafés que dominou a Rússia e invadiu Londres no começo do ano. A próxima conquista será Nova York. E se a vida for linda, em seguida, São Paulo. Oremos. Afinal, a cidade da garoa precisa urgentemente de espaços de permanência mais simpáticos, seguros, de baixo custo e com wi-fi grátis.

No Ziferblat tudo é grátis exceto o tempo que se consome ali. Em Londres, o custo é de três pences por minutos, o que somaria 1,80 libras por hora. Esse valor dá direito ao uso da internet e do consumo de qualquer alimento presente no local: café, chás, cookies, vegetais e mais. Além disso, é permitido desenvolver ali quaisquer atividades desejadas.

Funciona assim: o visitante pega um dos relógios de mesa que o café oferece e anota o seu horário de chegada. Ao final estadia, o cliente devolve o relógio e paga a sua conta. Não existe um período mínimo de permanência. O que há, porém, é a necessidade de preparar os próprios lanches, lavar a louça usada e deixar o espaço em ordem ao sair.

Ziferblat significa "rostos de relógios" em russo. 

A primeira casa da rede "pague-por-minuto" foi aberta por Ivan Mitin há dois anos, na Rússia. No país, hoje existem 10 franquias do Ziferblat. Algumas têm música ao vivo, outras abrigam seminários sobre línguas exóticas e outras, ainda, cedem espaço a encontros de ativistas preocupados com o meio-ambiente.

O lema da rede é "um espaço social para você tratar como seu lar". Para Mitin, mesmo com todo seu sucesso, o Ziferblat permanece sendo primeiro e principalmente um projeto social, não um modelo empresarial. O empreendedor insiste que não há patrocinadores comerciais na jogada nem interesse político oculto.

Ziferblat se sustenta através de seu próprio lucro e de doações", diz ele. A proposta é simples: "Eles [os clientes] pagam aluguel por minuto e eu pago aluguel uma vez ao mês", explica Mitin à repórter da BBC que aparece narrando o vídeo postado abaixo. O audio do vídeo é em inglês.


A utopia social na boca de Ivan Mitin

"Eu não acho que o Kommunalka ou a Rússia serviram como inspiração para o Ziferblat. O desejo de união é a primeira coisa que sentimos. É característico dos primatas. Esse desejo existe em todos os lugares do mundo."

"Todos queremos voltar à terra encantada onde vivemos na infância. Um local onde estivemos cercados por pessoas que nos amavam incondicionalmente. Esse desejo se manifestou de modos diferentes na história e foi manipulado através de cultos e de movimentos como o Fascismo."

"Penso que o Ziferblat é diferente deste tipo de coisa por princípio. Não convidamos nossos visitantes a se posicionarem sob qualquer tipo de bandeira. Não os transformamos em engrenagem de algum grande maquinário. Nos preocupamos com o individualidade e com a liberdade interior."

"Provemos ao público um refúgio em meio à cidade grande, cheia de fingidores. É como uma casa da árvore para adultos. Aqui, as pessoas constroem um espaço para si e se abrem uns com os outros. Elas se 'escondem dos adultos'."

"Numa casa da árvore é impossível jogar os jogos de 'cliente' e 'garçom', porque todo ser humano é um indivíduo relevante e, assim, não pode ser servo de outro ser humano."

"Eu não me iludo imaginando que o Ziferblat é a cura de toda a miséria, mas com o Ziferblat estamos tentando nos aproximar deste ideal."




Mais: Entrevista de Ivan Mitin à revista online Animal.

Quer aprender a programar? Programaê!


Para quem nunca pegou o bonde da programação e acha que ele já passou e não voltará nunca mais, a boa nova. O Programaê! é um movimento que quer aproximar a programação do cotidiano de jovens (e jovens mais velhos) de todo o Brasil. Através de um portal super arrumadinho e prático, o programa leva ao público de forma gratuita soluções e dicas de gente experiente. É tudo online, o que ajuda muito.

Mas e aí, o que eu vou poder fazer depois de me dedicar às aulas do site? Segundo o vídeo promocional da galera do Programaê!, quase tudo. "Aplicativos, jogos, animações, sites, robôs e muito mais", é o que eles dizem no vídeo que você pode ver na íntegra aqui embaixo. A empreitada é pra lá de bacana e até eu vou experimentar. Sempre quis pegar esse bonde supersônico que até hoje pareceu correr rápido demais para mim.

Aproveitem e compartilhem essa ideia!


O Programaê! é uma iniciativa da Fundação Lemann, que tem apoio da Vivo, da Telefônica e da Fundação Telefônica. É sempre digno dar crédito aos benfeitores.



12 de setembro de 2014

Taca-le uma pitada a mais de melanina

Não sei você, mas eu acho as músicas do quarteto britânico mais famoso da história boas para caramba. Algumas têm melodia mais simples, outras são cheias de viradas inusitadas, mas, sem dúvida, todas válidas de serem ouvidas ao menos uma vez na vida. Talvez várias vezes na vida. Talvez até em suas múltiplas versões, já que o povo adora regravar The Beatles.

E então chegamos no assunto desse post: versões. Mas não quaisquer versões. Versões especiais. Versões morenas, cheias de melanina, cheias de -- como se diz na boca pequena -- swing da cor. Versões que vêm à vida através das cordas vibrantes que habitam prestigiosas gargantas, como a de Nina Simone e de Roberta Flack. (Ui, fraco o rolê.)

Acho que nada mais precisa ser dito. Agora é hora de abrir as portas das orelhas e deixar os sons entrarem. Seguem abaixo as tais versões com sabor de chocolate.


Nina Simone (Here Comes the Sun)


Roberta Flack (In My Life)


Essa música faz parte de um àlbum cheio de covers de Beatles. Ouça trechos no vídeo abaixo.


Ah!

E no quesito Beatles, outra coisa deve ser dita: se você os ama e ainda não viu o filme Across the Universe, você está falhando rude como ser humano. Cabe revisão de caráter e princípios. Confirme o que lhe digo abaixo. Quem vai ajudar no convencimento é o ator Martin Luther McCoy.


11 de setembro de 2014

Adestrando seres humanos


Por causa de mais uma notícia horrível sobre mau comportamento de alguém, uma amiga querida declarou em seu mural do Facebook que havia perdido as esperanças no ser ser humano. Dessa sua fala cheia de frustração nasceu uma conversa que compartilho aqui. Se possível, depois de ler o texto, deixe sua opinião sobre o assunto.

Amiga: E vocês ainda tem esperanças no ser ser humano?

Maa: Ser humano decente só com muita disciplina, já bem sabem os japas.

Maa: Eu não penso que o ser humano é mau. Essa dicotomia "bom e mau" é muito boba. Só acho que o ser humano é animal mais do que acha que é. É muito motivado por prerrogativas individualistas, que visam garantir a sobrevivência. Então, para ser diferente do natural tem que ter muita disciplina, como os animais. Se o adestramento serve para os animais "se comportarem" (ou seja, se adaptarem à vida em sociedade), serve para nós também. Quando o ser humano tem muita liberdade, se rende aos instintos básicos. Pensar coletivamente não nos acontece naturalmente e também não é atividade que permanece depois de aprendida. Precisamos de estímulo para viver bem em grupo, e o tempo todo.

Amiga: Super concordo! E muitos diriam que esse estímulo é a fé, a religião ou Deus. O que prende as pessoas na jaula da 'moral' é a crença que existe um juízo final, um purgatório onde será decido se o homem irá para o inferno ou não. Particularmente, eu acho que a religião cega as pessoas (ao mesmo tempo que pra algumas é a salvação). Não acho que o ser humano possa ser classificado simplesmente em bom ou mau. Só acho que no ponto em que estamos, depois de tantos anos de história, se ainda não aprendemos com o passado, não temos como evoluir muito. Por isso meu desabafo, minha descrença. Tenho medo de viver nesse mundo. (Maa, se vc se interessa por esse assunto, assista um filme chamado God's not Dead. É meio tendencioso pra religião, meio muito, mas não se assuste. Ele tem uma visão interessante sobre essa questão da moral versus religião versus instintos básicos.)

Maa: Sim, acho que não rola mudar drasticamente. Somos o que somos. Com isso sabido, precisamos aprender a lidar com nossos temperamentos. E acho que o caminho do controle não é pelo medo, que é o caminho da religião. É pela disciplina mesmo. Pela reforma do pensamento (ou do comportamento). É preciso estar sempre disposto a ensinar de novo, a repetir. Estímulo positivo é a chave, igual se usa pra adestrar cães! (Todo mundo sabe que não rola usar métodos violentos, o medo, ou restrições fortes pra ensinar os animais. Tem que ser na paciência.)

Amiga: The world is moved by fear. De onde é isso? Enfim... é bem isso mesmo.


10 de setembro de 2014

Pedras sobre pedras e sobre elas petiscos


Tem coisa mais bonita que a intensa simplicidade? Difícil. Pensando nisso, a florista Sarah Winward criou uma solução rústica e minimalista para decorar mesas de aperitivos ou doces: placas de pedra de superfície reta.

A moça usou essas peças rudes como base sobre as quais colocar queijos, tortas e frutas. Ficou lindo e o custo foi baixíssimo. O único cuidado indispensável, e óbvio, é lavar bem as pedras antes de coloca-las em uso.

Essa decoração funciona bem tanto nos eventos feitos em cenários bucólicos, quanto em casamentos que ocupam espaços fechados. Basta que a temática seja o rudimentar, o rústico, o rupestre.

As fotos do post foram clicadas pela Kate Osborne.







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